Assisti X-Men - Origens: Wolverine quinta passada às 22h no Cinemark. Foi um bom filme, mas bem menos do que eu esperava.
Diverti-me muito, e as cenas de ação (há muitas) são muito bem feitas e cheias de adrenalina, mas acho que quem não conhece nada dos gibis terá se divertido mais do que eu, porque montei muitas expectativas a respeito das participações especiais. Portanto, recomendo não esperar muito do tempo de tela de personagens como Blob, Gambit, Rainha Branca, Raposa Prateada ou Deadpool, e esqueça aquela cena dos trailers em que uma jovem Tempestade aparece, porque ela não está no filme. Do mesmo modo, sobre o vilão final, amigo fã de quadrinhos, não espere o personagem que carrega aquele nome nos gibis: você verá um pusta vilão fodástico e muito bem-feito, mas nada a ver com o (spoiler: Deadpool :spoiler) dos quadrinhos. Veja o nome como mera coincidência.
“Ai, que vontade que tá me dando...!”Saindo pela tangente, pude sadicamente me divertir com a miséria da vida de Wolverine: não me lembro de nenhum arco de histórias dos gibis que tenha sacaneado tanto com o mutante como esse filme, que tem quase duas horas, mas não parece. De fato, quando vi que o filme estava chegando ao seu clímax, queria que ele continuasse por mais uma meia-hora (o que é bem estranho para mim, que geralmente acho que um bom filme não deve ter mais de 95 minutos), e a história ficou bem amarrada e difere dos gibis (qualquer versão deles), misturando elementos de várias épocas do universo Marvel para criar uma narrativa única, bem estabelecida como prólogo aos filmes dos X-Men. Nesse ponto, eu achei que o diretor conseguiu fazer muita coisa para a história engessada que ele deveria contar — afinal, sabemos que o Dentes-de-Sabre não morre, que Wolverine perde a memória e que o Ciclope não se lembra dele na juventude. Nesse ponto, kudos para o ex-ator de filmes de kickboxer, Gavin Hood.
Por outro lado, eu não gosto de diretores que substituem qualquer cena difícil por efeitos especiais. Por exemplo, quando, no início do segundo ato, Wolverine foge de moto de um helicóptero por uma floresta, os tiros que correm pelo chão são claramente CGI — mas porque não fazê-los com efeitos físicos? Por volta do final do filme, quando um personagem hoje velho aparece jovem, porque não maquiar o ator para ele ficar mais novo ao invés de usar um CG na cara dele, tranformando-o num personagem de PS3? Nesse ponto, sou fã de Michael Bay, que prefere usar efeitos reais em frente à câmera sempre que possível; o espectador cinéfilo percebe a diferença.
No total geral da partida, avalio X-Men - Origens: Wolverine como um filme bonzinho. Ou seja, muito divertido, mas não vale mais que meia-entrada.
Agora, o que me motivou a escrever esta postagem não foram os 107 minutos de ação e drama, mas os trinta segundos depois dos créditos (sim, o filme cem cena ao fim dos letreiros):
Estávamos quase lá, as músicas já estavam aparecendo na tela, as luzes de segurança haviam se acendido para o pessoal ir embora. Devia ter sobrado umas duas dúzias de pessoas no cinema, algumas de pé, mas todas esperando para ver se havia algo depois dos créditos (eu, por outro lado, costumo ficar pela música e porque gosto de ler os nomes esquisitos). Um décimo de segundo de tela escura se passa e surge um copinho, em close-up, sendo enchido de bebida. Subitamente, o projetor é desligado e as luzes se acendem! Como uma única criatura, as vinte e poucas pessoas ainda no cinema começam a gritar, vaiar e assobiar de revolta. Sem obtermos resposta, um casal foi até lá em cima, na janelinha de projeção e, seguida por pelos protestos de uma mini-turba já começando a querer sangue, bateu impaciente no vidro, exigindo o resto do filme. Quando vi que o negócio ia demorar, sentei-me de volta, marquei o início da comoção no relógio e fiquei conversando com a namorada sobre as diferenças entre as linhas editoriais de Marvel e DC.
Mais divertido que isso, não obstante, foram as outras dezesseis pessoas que sobravam após dez minutos (dois casais foram embora, resignados), sentadas de qualquer jeito, doidas para algum lanterninha aparecer e tentar tirá-los de lá sem o resto do filme. De fato, eu já estava pronto para sair e reclamar meu dinheiro de volta, mas a Luciana me sugeriu esperarmos, porque afinal já era a última sessão da noite e não haveria ninguém lá fora com quem implicarmos. Nenhum lanterninha apareceu, claro, e alguém chegou a ir lá fora procurar por alguma alma viva, porque o projetista também não aparecia.
Depois de vinte minutos, finalmente surgiu alguém na sala de projeção; depois duas pessoas, depois três! Todos tentando resolver o imbróglio rapidamente, antes que aqueles vândalos em potencial se dessem conta do poder destrutivo das massas. Não sei se algum funcionário tomou um esfrega ou se alguém foi demitido, e não dou a mínima. Se o babaca tirou o filme por incompetência ou por sacanagem, ele ou outro funcionário do cinema iria pagar, ficando lá o tempo que fosse necessário, até achar novamente no filme aqueles (o quê, dez, vinte?) segundos que restavam. Ou isso, ou devolver o ingresso de dezoito pessoas.
Exatamente 45 minutos depois, as luzes se apagaram e o filme foi recolocado logo no começo dos créditos (são sem dois alarmes falsos nesse ínterim, tentativas infrutíferas por parte dos acuados empregados do cinema de tentar colocar o filme rapidamente). Foram trinta segundos completamente dispensáveis do Wolverine bebendo e conversando com a bartender, numa referência obscura e irrelevante aos quadrinhos.
Por incompetência, o Cinemark do Novo Shopping de Ribeirão Preto (SP) transformou trinta segundos em quase uma hora. Bem-feito para eles e uma salva de palmas a 18 pagantes que se recusaram a dar uma de brasileiros, ao invés ficando dentro da sala e exigindo seus direitos, mesmo sendo trinta segundos completamente dispensáveis.
“Vai passá o final do filme ou tá afim de encará?”



4 comentários:
Eu baixei o filme e vi em casa e não me arrependo em nenhum momento. Foi bom para saber o que não esperar de uma ida ao cinema e para dar a minha mente o estímulo necessário para esperar a promoção do DVD na seção de dezenove e noventa da americanas.
Isso eu não recomendo, Valberto. Muito pelo contrário. Nada substitui a experiência da tela prateada, sendo o filme ótimo, bom ou razoável. É para isso que matinês existem.
O filme é bom...melhor do que eu esperava, talvez pq eu não esperasse nada por ele.
A cena final é até interessante, pois remete à "fase samurai" do carcaju, mas eu não esperaria 1 hora para ver! Diz a lenda existem 2 cenas pós créditos, cada cinema recebeu uma cópia diferente...na minha sala a cena final foi a do japão, em outras dizem que foi uma cena mostrando que fim levou o "chefe final" e um gancho para um possíel filme solo.
Valberto , o que vc fez , eu não faço nunca mais.
Eu adoro filmes/cinema. Baixar lançamentos, nunca mais. Os filmes são feitos com câmeras de mão , queimam as cores , os efeitos , o som é uma porcaria e por ai vai.
Na minha opinião pessoal. Nada substitui a grandeza da telona.
Sobre os 30s finais. Eu desisti de ficar esperando essas partes no cinema. Espero atualmente para ver em alguma versão em DVD. Wolverine é um filme q devo comprar em DVD , então , vejo essa parte por lá.
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