São nove e meia da noite, numa segunda-feira. Eu estou tomando água tônica com limão e lendo O Aleph, obra de fantasia do argentino Jorge Luis Borges (versão da Ed. Globo, 1998, tradução de Flávio José Cardozo), e não consigo tirar da cabeça que os primeiros capítulos poderiam dar uma ótima aventura de Dungeons & Dragons!Maldito viciado!
Não consigo evitar. O narrador e protagonista da primeira história conta (com muitos floreios de redação) como ele, então um tribuno romano à época de Diocleciano, partiu, supostamente no norte da África, a encontrar a Cidade dos Imortais, com um pequeno regimento, depois de saber dela através de um oriental moribundo que chegou a seu acampamento à noite, à cidade de Tebas. Ele enfrentou o deserto escaldante, redemoinhos de areia, poços envenenados, feitiços de enlouquecimento, maldições lunares, motim, encontrou plantas que anulavam venenos, ruínas desertas e até trogloditas.
Essa primeira narrativa ocupa um oitavo, talvez, do livro (“O Imortal”), e não pude evitar mas pensar em como ela deveria ser adaptada para uma campanha de D&D. Obviamente os protagonistas seriam vários, não um só, e suas diferentes habilidades poderiam fazê-los entrar no grupo de diferentes maneiras e por diferentes motivos; talvez o rogue do grupo entre porque tentará roubar dos soldados da expedição e será poupado pelo líder (o warlord ou paladino ou fighter) porque suas habilidades poderão ser úteis na jornada (algo propiciamente sugerido pelo conselheiro do warlord/paladino/fighter, talvez esse também outro personagem-jogador). E por aí eu iria, mudando o local da aventura para talvez a Savage Coast de Red Steel, ou o Planalto de Tyr, de Darksun.
O desafio contra a tempestade de areia pode ser contra elementais; a montanha com planas anti-veneno pode ser a morada de um grupo de hags, o enlouquecimento dos que dormiram com a cara para a lua pode virar o ataque de fantasmas ou de um aboleth, e a fuga doentia pelo labirinto da Cidade dos Imortais pode dar um belo skill challenge, intercalado pelo ataque de ankhegs (que sairão no Monster Manual 2).
Claro, tudo isso precisa ser bem pensado, até porque citei monstros de níveis de desafio bastante díspares, como os obrigatórios trogloditas (nível 6), o elemental de redemoinho (earthwind ravager, nível 23) e o aboleth (nível 17). Portanto, provavelmente seria uma aventura para o final dos níveis Paragon, terminando no começo dos níveis épicos. Mas quero pensar nela com bastante calma, porque estou tentado a fazê-la uma aventura inicial, nos primeiros estágios do Heroic Tier, uma vez que estou para começar uma nova campanha nas noites de segunda-feira. Logo, os monstros que primeiro me surgiram na cabeça não seriam possíveis.Tudo a seu tempo. Ainda tenho outros quinzte textos (poderia os chamar de contos?) para ler, e tenho que fazê-lo sem pensar em RPG — isso certamente estragaria a experiência de meu primeiro Luis Borges.



3 comentários:
Caraca, realmente se for ver bem, existem boas histórias e outras ótimas para serem adaptadas. Esse livro não li, mas já fiquei com vontade!
Alex
Ankhegs são dos meus monstros preferidos!
A ideia é bem legal mesmo...eu também constumo ver "RPG" em quase tudo que eu leio.
Duas semanas que eu não te vejo e de repente percebo que assim como o meu "Livro do seres imaginários" se tornou "Monsters Manual", o meu "O Aleph" se tornou o "Masters Manual", hehehe.
Mas, é verdade, alguns contos do Borges (e de diversos outros autores) sempre viram aventuras de RPG na minha cabeça, o exemplo mais drástico foi o "Jangada d pedra" do Saramago, que virou uma aventura de super-heróis.
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