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Podcast II: Música

Não me pretendo ser um especialista ou portador de grandes conselhos sobre como fazer um podcast. Sou apenas um cara que brinca de ser podcaster duas vezes por semana e que se considera no middle rim da galáxia de podcasts que há por aí (nem na periferia ou no inner rim, e muito menos entre os core worlds*). Meu primeiro texto sobre podcast pretendia dar umas dicas para amigos que me perguntavam sobre como fazer um podcast; ao invés de escrever para cada um, produzi um texto para o caso de ser útil a mais alguém.

Este aqui foi pensado do mesmo jeito. Ao observar algumas dificuldades que amigos e colegas podcasters recém-chegados estão tendo com trilha sonora e música, resolvi-me por escrever um texto com minhas idéias, sobre o que eu acho sobre o assunto. Para conselhos de verdade, ouça aos GenCon Seminars (mais focado em podcasts de RPG, mas ainda assim muito úteis). Para dicas diametralmente opostas às que escrevo aqui, ouça ao Metacast.

A trilha de fundo

Minha opinião sobre música ao fundo da conversa do podcast resume-se a uma única palavra: «não». Não coloque música de fundo no seu podcast. Eu não coloco, e acho que atrapalha, que desvia a atenção de seu ouvinte da conversa.

Minha experiência pessoal com trilha de fundo em podcasts é de simplesmente me pegar prestando atenção às músicas, especialmente se elas são boas ou agitadas, e não ouvindo ao que está sendo dito. Mas eu sei que a tentação é grande. Quem não gostaria de ter trilha sonora no dia-a-dia? Quem não aprecia boa música? Bem, é esse o problema. Já reparou que nos filmes, quando num diálogo ou numa cena em que algo importante está sendo dito, quase não há trilha sonora? Toda vez que o diretor está mostrando para você uma conversa importante para a trama, a música está ausente. E por quê? Porque música é muito bom nas cenas de ação ou de romance, mas na hora de chamar a atenção do espectador para uma fala, ela atrapalha.

Esta é minha opinião. Agora vamos flexibilizá-la, porque eu sei que você vai morrer de vontade de enfiar quantas músicas legais conseguir em cada episódio de seu podcast. Além disso, você pode estar se perguntando “quem esse babaca pensa que é, quando os maiores podcasts do Brasil, com o Nerdcast e o NowLoading usam trilhas exaustivamente ao fundo de seus episódios?”. Pois é, até um de meus podcasts favoritos, o Order 66 também usa trilhas sonoras de fundo (eles fecharam um acordo para poder tocar as trilhas de Star Wars no programa). Em primeiro lugar, discordo do uso de trilhas sonoras no Nerdcast e no NowLoading. É isso aí, eu discordo. Este é o problema de viver numa democracia, eu tenho direito de discordar, mesmo de gente que tem mil vezes mais ouvintes que eu.

Trilhas sonoras de fundo me distraem. E, se me distraem, devem distrair muita gente por aí também. Mas podemos, como disse, flexibilizar, para duas situações: 1. Se o programa é de entretenimento e humor, daqueles você pode ouvir trabalhando, fazendo faxina ou mesmo resumindo um livro. Como esse tipo de programa não requer muita atenção para começo de conversa, não há problema. 2. Se a trilha sonora naturalmente não chamar atenção, se só estiver lá para preencher os momentos de silêncio, ela não irá distrair o ouvinte. Ou seja, se for uma música pouco conhecida, uma batida contínua e, preferencialmente, não muito agitada, a trilha fará exatamente o que você quer, que é preencher o fundo do episódio.

Mas ninguém faz isso. Podcasters adoram colocar faixas de rock pesado, ou clássicos do pop como trilha sonora. E o que acontece é que eu, por exemplo, sem querer começo a prestar atenção à faixa musical e só depois de dez minutos me dou conta de que não ouvi nada do que foi dito no podcast. Portanto, se você não pode evitar, coloque trilhas inócuas ou desconhecidas, e de preferência bem, bem baixinho (algo como 20 ou 24 decibéis mais baixo que as vozes). Mas tente evitar, especialmente se você está fazendo um podcast sobre um assunto que as pessoas deveriam estar prestando atenção e absorvendo o que você e seus convidados dizem, não a música.

Mas eu continuo recomendado nenhuma trilha de fundo de qualquer modo.

Abertura e encerramento

Uma coisa muito importante que os podcasts em começo de carreira (nossa, até parece que estou por aí há anos) não resistem é variar as músicas de abertura. E é uma coisa dificílima de resistir, porque há tantas musicas boas que poderiam abrir um podcast! Eu até hoje tenho essa vontade, e foi por isso que comecei um segundo podcast com música dividindo os blocos, para ter a desculpa ideal para colocar quatro faixas completamente diferentes a cada semana, toda semana.

O lance da faixa de abertura, tanto a música quanto a vinhetinha e o jeito como você e os outros apresentadores abrem cada episódio, é que ela cria um caminho neural em seus ouvintes. Literalmente, os neurônio no cérebro do ouvinte estabelecem um caminho sináptico que, quando estimulado, ou seja, quando a pessoa começa a ouvir aquela vinheta conhecida de abertura, ela entra imediatamente no mindset de ouvir seu programa. Chega mesmo a ativar o centro de recompensa do cérebro, aquela senação gostosa que foi por anos formando o caminho neural, por exemplo, da abertura da Tela Quente, quando não havia TV a Cabo no Brasil. Ou então o caminho neural que a música do Corujão ativava no cérebro, que me passava de imediato a idéia de que estava ficando tarde demais e que eu teria problemas se meus pais me pegassem acordado, quando garoto.

Esse tipo de sensação está presente num podcast, e por isso a faixa de abertura é tão importante. E por isso é complicado mudá-la, porque você obrigará o cérebro de seu ouvinte a reaprender o caminho neural que lhe diz “hora de relaxar e rir muito, está começando o Bear Swarm”.

Da mesma maneira, a faixa de encerramento diz ao ouvinte, num nível consciente e também inconsciente, que o programa acabou e está na hora de voltar ao estado mental de antes do programa.

Fontes de música

O Brasil não é um país sério, então por aqui ninguém está se lixando para direitos autorais. Mas isso é feio e triste. Como podemos reclamar de políticos ladrões se nós mesmos somos um bando de malandros, podres e descarados?

Além disso, existem tantos artistas por aí que divulgam gratuitamente suas músicas, com o exclusivo propósito de serem usados em podcast, que eu acho que simplesmente não compensa usar música com copyright em seu podcast. Por favor, vamos tentar construir um país sério a partir de algum ponto. Se você não conhece meu podcast Estilingue, este é um programa baseado totalmente em faixas musicais liberadas para uso em podcast, retiradas do Podsafe Music Network, um lugar entupido com milhares de músicas muito boas, muito bem feitas, de todos os estilos existentes — e alguns não existentes, como “glam punk”, “screamo” e “nerdcore”. E tudo o que eles pedem em troca é que você cite em suas shownotes ou em sua gravação que usa as músicas deles, e que música/banda usou. Só isso, nada mais.

Além do Podsafe Music Network, há outras ótimas fontes de música, inclusive faixas feitas para serem aberturas ou encerramento de podcasts, como Podcast Themes, Podsafe Audio e Podcast.com. Eu não recomendo o Garage Band, porque a maioria das músicas de lá, apesar de ótimas, requer pagamento e não estão necessariamente disponíveis para uso em podcasts. Mas com as outras quatro fontes acima, eu tenho certeza que depois de vinte minutos de procura você terá tantas faixas perfeitas para serem o tema de seu podcast que vai levá-lo à loucura tentando escolher uma só.

(Uma solução parcial para isso é usar uma faixa para abertura, outra para interlúdio e uma terceira para encerramento; e às vezes você consegue encaixar um tema diferente para episódios especiais, hehe.)

Bem, esse foi meu bramido contra-corrente sobre o assunto. Ao fim e ao cabo, não posso lhe dizer o que fazer com seu show. Mas, se estava à procura de conselhos sobre a questão das músicas em podcasts, espero tê-las solucionado. Se não, deixe um comentário por aqui ou escreva para mim, neste endereço.


*Muita referência a Star Wars hoje.

Leia também: Quer fazer um podcast? Pergunte-me como!

Viciado em RPG

São nove e meia da noite, numa segunda-feira. Eu estou tomando água tônica com limão e lendo O Aleph, obra de fantasia do argentino Jorge Luis Borges (versão da Ed. Globo, 1998, tradução de Flávio José Cardozo), e não consigo tirar da cabeça que os primeiros capítulos poderiam dar uma ótima aventura de Dungeons & Dragons!

Maldito viciado!

Não consigo evitar. O narrador e protagonista da primeira história conta (com muitos floreios de redação) como ele, então um tribuno romano à época de Diocleciano, partiu, supostamente no norte da África, a encontrar a Cidade dos Imortais, com um pequeno regimento, depois de saber dela através de um oriental moribundo que chegou a seu acampamento à noite, à cidade de Tebas. Ele enfrentou o deserto escaldante, redemoinhos de areia, poços envenenados, feitiços de enlouquecimento, maldições lunares, motim, encontrou plantas que anulavam venenos, ruínas desertas e até trogloditas.

Essa primeira narrativa ocupa um oitavo, talvez, do livro (“O Imortal”), e não pude evitar mas pensar em como ela deveria ser adaptada para uma campanha de D&D. Obviamente os protagonistas seriam vários, não um só, e suas diferentes habilidades poderiam fazê-los entrar no grupo de diferentes maneiras e por diferentes motivos; talvez o rogue do grupo entre porque tentará roubar dos soldados da expedição e será poupado pelo líder (o warlord ou paladino ou fighter) porque suas habilidades poderão ser úteis na jornada (algo propiciamente sugerido pelo conselheiro do warlord/paladino/fighter, talvez esse também outro personagem-jogador). E por aí eu iria, mudando o local da aventura para talvez a Savage Coast de Red Steel, ou o Planalto de Tyr, de Darksun.

O desafio contra a tempestade de areia pode ser contra elementais; a montanha com planas anti-veneno pode ser a morada de um grupo de hags, o enlouquecimento dos que dormiram com a cara para a lua pode virar o ataque de fantasmas ou de um aboleth, e a fuga doentia pelo labirinto da Cidade dos Imortais pode dar um belo skill challenge, intercalado pelo ataque de ankhegs (que sairão no Monster Manual 2).

Claro, tudo isso precisa ser bem pensado, até porque citei monstros de níveis de desafio bastante díspares, como os obrigatórios trogloditas (nível 6), o elemental de redemoinho (earthwind ravager, nível 23) e o aboleth (nível 17). Portanto, provavelmente seria uma aventura para o final dos níveis Paragon, terminando no começo dos níveis épicos. Mas quero pensar nela com bastante calma, porque estou tentado a fazê-la uma aventura inicial, nos primeiros estágios do Heroic Tier, uma vez que estou para começar uma nova campanha nas noites de segunda-feira. Logo, os monstros que primeiro me surgiram na cabeça não seriam possíveis.

Tudo a seu tempo. Ainda tenho outros quinzte textos (poderia os chamar de contos?) para ler, e tenho que fazê-lo sem pensar em RPG — isso certamente estragaria a experiência de meu primeiro Luis Borges.

Filme do Deadpool

Para quem compartilhou do anti-clímax de milhares de fãs de quadrinhos no filme “X-Men - Origens: Wolverine” da não-participação do Deadpool, parem de chorar, suas bichonas! A Marvel deu sinal verde para a produção do filme do mercenário mais tagarela dos gibis.

Para quem não sabe, Deadpool é um bocó mercenário com super-poderes: além de ser muito ágil e ter um fator de cura mais poderoso que o da carreira de John Travolta, é talvez o único personagem da Marvel que sabe que está numa história em quadrinhos — o que leva a seu comportamento totalmente irresponsável e aleatório.

Wade Wilson (o Deadpool) teve uma brilhante encarnação com Ryan Reynolds, mas seu tempo de tela, assim como de todos os outros super-heróis e super-vilões do filme do Wolverine, foi um mero cameo para os espectadores, menos breves talvez apenas que os do Stan Lee. E parece que muita gente ficou com gosto de quero mais ao sair do cinema, em especial pelo não-Deadpool ao fim do filme (de minha parte, acho que foi um tremendo vilão final com uma pusta luta, mas poderiam ter chamado de outro nome, não Deadpool).

Pois então a Marvel pretende pacificar a horda de cinéfilos e quadrinéfilos irados que se dirigia à sede da empresa em Nova Iorque, portando ancinhos, foices e tochas, com a notíca de hoje em seu website. No texto, a Marvel aproveita para confirmar os rumores de que houve, sim, rolos de filmes com duas cenas pós-crédito enviadas para diferentes cinemas. Eu vi a do bar no Japão, como falei aqui)., e a outra parece ser sobre o Deadpool.

Por ora a Marvel só assinalou o produtor (ou melhor: produtora, Lauren Shuler Donner, que também produziu todos os outros três filmes dos X-Men, o filme do Wolverine e está na produção do vindouro filme do Magneto) e nem tocou em nome de estúdio (ou seja, se será um filme 100% Marvel ou se será da Fox). Na notícia, a Marvel também não deixou explícito se Ryan Reynolds re-encenaria o super-mercenário bocudo — mas, doido por gibis como o ator é, não é difícil imaginar o que irá acontecer.

Are you out of your vulcan mind?

Por onde eu começo?

Ah, sim. O filme é fenomenal!

É completamente diferente de qualquer outro filme de Jornada nas Estrelas. E achei isso uma ótima, porque ao mesmo tempo que agrada aos fãs, loucos por um novo filme desde 2001, atrairá uma platéia acostumada com os filmes de ação/testosterona de Michael Bay, como “A Ilha” (2005) ou “Transformers” (2007).

Sobre agradar aos fãs: você só estrairá todo o suco que este filme tem a oferecer se for um fã inveterado de Jornada nas Estrelas, daquele que compara frases do McCoy com atitudes do LaForge. Star Trek (curiosamente, não é “Jornada nas Estrelas”, “Jornada nas Estrelas XI” ou “Star Trek XI”). Os roteiristas definitivamente fizeram o dever de casa, fazendo inúmeras referências, visuais ou textuais, à Série Clássica e aos filmes. O próprio vilão é uma interessante mistura do tipo de vilão encontrado nos filmes dA Nova Geração de da Série Clássica.

(E, para os fãs da série Alias e outros trabalhos de Abrams, temos algumas referências também)

Nora dez também para o visual do filme, que está moderno e futurista mas também retrô, remetendo à década de sessenta. Todos os elementos do filme, das naves em si, aos uniformes, passando pelos logotipos, é reminiscente do tipo de design futurista/retrô da TOS, mas lindamente modernizado para, hoje, parecer algo que encontraremos no século 23. Imagine a década de sessenta do futuro — ou 2260.

Sobre datas, curiosamente as “datas estelares” na verdade são anos do calendário gregoriano. O que também facilita a vida do trekkie de primeira viagem enquanto sabiamente evita a cama de gato que é são as datas estelares ao longo das séries de TV. Outra bala esquivada pela produção é a contagem de velocidade de dobra: apenas uma única vez é citada, e mesmo assim um número baixo (três e quatro), o que a coloca dentro dos limites tanto da TOS (cuja progressão cúbica nunca era respeitada) quanto da fórmula desenvolvida por Michael Okuda e usada nas outras séries e filmes.

Não entendeu nada? Tudo bem, não fará diferença no filme, seja você um trekkie incurável ou um recém-iniciado.

Por falar nisso, kudos para a produção, por terem sido machos a ponto de fazer o que fizeram com a história — nos vários sentidos da palavra. O filme é sobre viagem no tempo (um tema recorrente em Jornada) e o vilão é do futuro, isso todo mundo que viu os trailers sabe. Este filme, portanto, conta uma história ensopada de referências ao universo de Jornada nas Estrelas, mas ao mesmo tempo estabelece-se como o começo de sua própria história. Pode até ser que algum fã xiita aqui e acolá torça o nariz para o que foi feito, mas esses fãs, que tratam Jornada nas Estrelas como se fossem a Santíssima Trindade (e vão considerar J.J. Abrams uma Maria Madalena), mas esse tipo de gente todo mundo ignora mesmo. O que estou querendo dizer é que o filme encontra uma ótima saída para que ele e suas continuações sejam o mais puro Jornada nas Estrelas, mas sem ficarem enjeçados por quarenta anos de “cânone”. E fazem isso usando uma ferramenta recorrente das séries e filmes: a viagem no tempo. Parece que a Paramount aprendeu a lição de “Enterprise”, uma ótima série, mas que morreu na praia justamente porque tinha obrigações com histórias pregressas/futuras da franquia.
Sobre a atuação, eu gostei muito do pacote que o elenco entregou. Todos os personagens têm grande tempo de tela — e isso agradará até mesmos aos fãs de Chekov — e todos realizam ações fundamentais para o sucesso dos mocinhos. Além disso, convenhamos, não é fácil calçar as sandálhas de de William Shatner, Leonard Nimoy, DeForest Kelley, Nichelle Nichols, James Doohan, George Takei e Walter Koenig nos papéis de suas vidas. Todos os novos atores executam essa monstruosa missão com maestria, chegando mesmo a imitar as atuações dos originais em várias situações: haverá momentos em que você verá Chris Pine sendo Kirk. Nesse ponto, destaca-se muito acima das outras a atuação de Karl Urban como McCoy; a própria atuação de DeForest Kelley era fastástica, uma vez que o ator de faroestes dos anos cinqüenta criou um personagem completamente díspare de sua própria personalidade pacata e de fala mansa (o estourado e emotivo Dr. McCoy). Ubran simplesmente pegou a atuação de Kelley como se fosse uma roupa e a vestiu!

A trilha sonora tamém não deixa a desejar, e tem sua dose recomendada de homenagens tanto às notas originais de Alexander Courage como o clássico tema de Jerry Goldsmith, ainda que sendo uma série de composições completamente próprias. Está muito longe de diamantes como os temas de “Generations” (1994) ou de “Primeiro Contato” (1996), mas será uma trilha onipresente que muita gente sairá assoviando do cinema.

Por fim, Star Trek, como feature film, parece estranhamente não-Jornada nas Estrelas, e nesse sentido acho que J.J. Abrams e Cia. fizeram um incrível trabalho ao renovar a franquia, trazendo-a, finalmente, para o século 21. Não vai ganhar nenhum Oscar (nenhuma FC ganha), mas irá conquistar uma nova geração de fãs — e até aposto que trará os velhos fãs de volta à excitação de assistir a um Jornada nas Estrelas no cinema. Não é o melhor filme da franquia (eu gostei mais de “Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan” e de “Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato”) mas definitivamente a reinicia de modo espetacular.

Numa época em que os efeitos especiais são o protagonista das histórias, é refrescante que um filme que tenha usado desses efeitos tão pesadamente se sustente por causa dos atores. Se, por nada mais, Star Trek merece ser assistido pela qualidade de interpretação da nova tripulação.


Vocês sabiam que minha monografia de graduação foi dedicada a Gene Roddenberry? É verdade, podem conferir nas preteleiras de Trabalhos de Conclusão de Curso da Unesp de Franca, sob o título de “Os Planos: uma análise compreensiva do pensamento capitalista neoclássico e sua inflência nos planos econômicos brasileiros, 1979-1994”, página 4.

Como transformar 30 segundos em uma hora

Assisti X-Men - Origens: Wolverine quinta passada às 22h no Cinemark. Foi um bom filme, mas bem menos do que eu esperava.

Diverti-me muito, e as cenas de ação (há muitas) são muito bem feitas e cheias de adrenalina, mas acho que quem não conhece nada dos gibis terá se divertido mais do que eu, porque montei muitas expectativas a respeito das participações especiais. Portanto, recomendo não esperar muito do tempo de tela de personagens como Blob, Gambit, Rainha Branca, Raposa Prateada ou Deadpool, e esqueça aquela cena dos trailers em que uma jovem Tempestade aparece, porque ela não está no filme. Do mesmo modo, sobre o vilão final, amigo fã de quadrinhos, não espere o personagem que carrega aquele nome nos gibis: você verá um pusta vilão fodástico e muito bem-feito, mas nada a ver com o (spoiler: Deadpool :spoiler) dos quadrinhos. Veja o nome como mera coincidência.
“Ai, que vontade que tá me dando...!”

Saindo pela tangente, pude sadicamente me divertir com a miséria da vida de Wolverine: não me lembro de nenhum arco de histórias dos gibis que tenha sacaneado tanto com o mutante como esse filme, que tem quase duas horas, mas não parece. De fato, quando vi que o filme estava chegando ao seu clímax, queria que ele continuasse por mais uma meia-hora (o que é bem estranho para mim, que geralmente acho que um bom filme não deve ter mais de 95 minutos), e a história ficou bem amarrada e difere dos gibis (qualquer versão deles), misturando elementos de várias épocas do universo Marvel para criar uma narrativa única, bem estabelecida como prólogo aos filmes dos X-Men. Nesse ponto, eu achei que o diretor conseguiu fazer muita coisa para a história engessada que ele deveria contar — afinal, sabemos que o Dentes-de-Sabre não morre, que Wolverine perde a memória e que o Ciclope não se lembra dele na juventude. Nesse ponto, kudos para o ex-ator de filmes de kickboxer, Gavin Hood.

Por outro lado, eu não gosto de diretores que substituem qualquer cena difícil por efeitos especiais. Por exemplo, quando, no início do segundo ato, Wolverine foge de moto de um helicóptero por uma floresta, os tiros que correm pelo chão são claramente CGI — mas porque não fazê-los com efeitos físicos? Por volta do final do filme, quando um personagem hoje velho aparece jovem, porque não maquiar o ator para ele ficar mais novo ao invés de usar um CG na cara dele, tranformando-o num personagem de PS3? Nesse ponto, sou fã de Michael Bay, que prefere usar efeitos reais em frente à câmera sempre que possível; o espectador cinéfilo percebe a diferença.

No total geral da partida, avalio X-Men - Origens: Wolverine como um filme bonzinho. Ou seja, muito divertido, mas não vale mais que meia-entrada.

Agora, o que me motivou a escrever esta postagem não foram os 107 minutos de ação e drama, mas os trinta segundos depois dos créditos (sim, o filme cem cena ao fim dos letreiros):

Estávamos quase lá, as músicas já estavam aparecendo na tela, as luzes de segurança haviam se acendido para o pessoal ir embora. Devia ter sobrado umas duas dúzias de pessoas no cinema, algumas de pé, mas todas esperando para ver se havia algo depois dos créditos (eu, por outro lado, costumo ficar pela música e porque gosto de ler os nomes esquisitos). Um décimo de segundo de tela escura se passa e surge um copinho, em close-up, sendo enchido de bebida. Subitamente, o projetor é desligado e as luzes se acendem! Como uma única criatura, as vinte e poucas pessoas ainda no cinema começam a gritar, vaiar e assobiar de revolta. Sem obtermos resposta, um casal foi até lá em cima, na janelinha de projeção e, seguida por pelos protestos de uma mini-turba já começando a querer sangue, bateu impaciente no vidro, exigindo o resto do filme. Quando vi que o negócio ia demorar, sentei-me de volta, marquei o início da comoção no relógio e fiquei conversando com a namorada sobre as diferenças entre as linhas editoriais de Marvel e DC.

Mais divertido que isso, não obstante, foram as outras dezesseis pessoas que sobravam após dez minutos (dois casais foram embora, resignados), sentadas de qualquer jeito, doidas para algum lanterninha aparecer e tentar tirá-los de lá sem o resto do filme. De fato, eu já estava pronto para sair e reclamar meu dinheiro de volta, mas a Luciana me sugeriu esperarmos, porque afinal já era a última sessão da noite e não haveria ninguém lá fora com quem implicarmos. Nenhum lanterninha apareceu, claro, e alguém chegou a ir lá fora procurar por alguma alma viva, porque o projetista também não aparecia.

Depois de vinte minutos, finalmente surgiu alguém na sala de projeção; depois duas pessoas, depois três! Todos tentando resolver o imbróglio rapidamente, antes que aqueles vândalos em potencial se dessem conta do poder destrutivo das massas. Não sei se algum funcionário tomou um esfrega ou se alguém foi demitido, e não dou a mínima. Se o babaca tirou o filme por incompetência ou por sacanagem, ele ou outro funcionário do cinema iria pagar, ficando lá o tempo que fosse necessário, até achar novamente no filme aqueles (o quê, dez, vinte?) segundos que restavam. Ou isso, ou devolver o ingresso de dezoito pessoas.

Exatamente 45 minutos depois, as luzes se apagaram e o filme foi recolocado logo no começo dos créditos (são sem dois alarmes falsos nesse ínterim, tentativas infrutíferas por parte dos acuados empregados do cinema de tentar colocar o filme rapidamente). Foram trinta segundos completamente dispensáveis do Wolverine bebendo e conversando com a bartender, numa referência obscura e irrelevante aos quadrinhos.

Por incompetência, o Cinemark do Novo Shopping de Ribeirão Preto (SP) transformou trinta segundos em quase uma hora. Bem-feito para eles e uma salva de palmas a 18 pagantes que se recusaram a dar uma de brasileiros, ao invés ficando dentro da sala e exigindo seus direitos, mesmo sendo trinta segundos completamente dispensáveis.

“Vai passá o final do filme ou tá afim de encará?”

I am Trekked-Out!

Semana passada minha namorada fez isso comigo, e eu gostei da brincadeira. Abaixo, o resultado de minha inadvertida passagem pelo widget “Trek Yourself” do site oficial do filme (adivinhem) Star Trek XI.

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