Minha breve história com videogames começou no Odissey da Philips, bem criancinha ainda, e logo depois, no Atari. Mas tornei-me um gamer mesmo a partir do Master System, migrando naturalmente para o Mega Drive. Foi nesses consoles que eu “me fiz”, tendo acumulado dezenas e dezenas de cartuchos, todos organizadinhos e com um fluxo regular de horas de jogo, discussão e encontros com amigos para jogar; foi quando comecei a ler revistas e matérias de jornal sobre games, etc. Em 92 chegou em casa o primeiro computador, que vinha com games junto à placa de som Sound Blaster, mas aproveitei muito pouco de games de PC durante quase toda a década e noventa, porque meus pais acreditavam que jogos estragavam o computador. Só quando meu pai, que é infantil e previsível, comprou um PC só para si e deixou o outro para os filhos, que começamos a jogar games no PC para valer — estranhamente, era o PC dele que sempre vivia com problemas, enquanto que o PC lotado de games rodava macio...
De 1999 a 2006 eu praticamente não joguei game algum no PC, à exceção dos multiplayers em casa de amigos, quando acumulava muitas e muitas horas em Diablo, Warcraft e Starcraft. Em 2000 eu saí de casa para trabalhar full time e pude comprar meu primeiro console, um Playstation, de um amigo de Franca que cuidava absurdamente bem do bicho. Já fazia muitos anos que eu não jogava em consoles, e foi difícil me acostumar com joypads e games que não precisavam ser instalados. Estranhamente, quando finalmente morava por conta própria, com um videogame só meu, podendo então jogar o quanto eu quisesse, jogava pouco. Na primeira semana com o PSX, eu varei a madrugada jogando. Depois, passei a jogar tão eventualmente que às vezes iam-se dias sem que eu ligasse o console. Dei-me conta de que não sou um jogador inveterado. Eventualmente jogava mais, claro, em especial um game que queria acabar, mas era comum ficar dias sem jogar novamente, ou ligar o videogame apenas por algumas horas.Em 2003 eu troquei o Playstation por um Dreamcast. Fui amamentado pela Sega durante a infância, nunca sequer tendo pegado num controle de SuperNES — ver, então, só uma vez. Acho que não seria capaz de reconhecer a Princesa Zelda e só conheci os irmãos Mario jogando Mario Kart no N64, na casa de amigos. Adquirir um Dreamcast era praticamente uma necessidade para mim. Já havia acumulado aproximadamente 100 discos de PSX (discos, não games, porque muitos dos games tinham quatro, cinco, seis discos) e troquei por um Dreamcast com dois controles e vinte jogos. Hoje, tenho quatro controles, quatro memory units, um mouse, perdi uma chance de comprar um volante para o console como nunca mais haverá nesta vida, já troquei a unidade de leitura duas vezes e tenho exatamente 172 games para o console (games, não discos, porque cerca de um décimo tem dois, três ou até quatro discos).
Quanto aos games de PC, fiquei um bom tempo longe deles, por restrições de maquinário. Quando tive um iMac (ai, que saudade...), de 2000 a 2003, era difícil conseguir games para o computador da Apple (basicamente, joguei Unreal, a série Myth, Age of Empires e Starcraft) e depois disso fiquei restrito a PCs defasados e sem placas de vídeo que prestassem. Foi apenas no começo de 2008 que consegui um PC realmente potente e uma placa de vídeo atual para jogar (o PC da namorada), e resolvi tirar o atraso daquela década praticamente inteira sem jogar nada mais potente que Counter Strike. Minha lista de games jogados no ano de 2008 é: Prince of Persia - The Sands of Time, Rainbow Six - Lockdown, Resident Evil 4, The Chronicles of Riddick - Escape from Butcher Bay, Star Wars - Dark Forces II - Jedi Knight, Star Wars - Jedi Knight II - Jedi Outcast, Star Wars - Jedi Knight - Jedi Academy, Splinter Cell, Taikodom, BloodRayne, Full Spectrum Warrior, F.E.A.R., F.E.A.R. - Extraction Point, Star Trek Away Team, Star Trek Voyager - Elite Force, Star Trek - Elite Force II, Star Trek DS9 - The Fallen, Star Trek TNG - Klingon Honor Guard, Far Cry, Re-Mission, Star Wars - Knights of the Old Republic, Colin McRae Rally 2005, Call of Cthulhu - Dark Corners of the Earth.Alguns desses eu chupei como uma laranja, deixando só o bagaço. Rainbow Six, em especial, foi “zerado” de todos os modos e níveis de dificuldade possíveis. FarCry devo ter jogado umas onze vezes, e vi os dois finais diferentes de todos os games de Star Wars, à exceção de KotOR.
Só agora o PC e a placa 3D mostram sinais de senilidade: consegui jogar o demo de Necrovision em qualidade baixa em quase todas as configurações. Mas não tenho pressa, pois ainda há muitos jogos “velhos” para eu explorar, games que deixei de jogar saídos de 1999 a 2006.
Ultimamente meu Dreamcast tem acumulado poeira. Mas não é por causa do PC (o elenco de games é diferente demais para um fazer concorrência ao outro) e sim por causa de um dia-a-dia cada vez mais lotado. Notei que meu método de jogo — extraído do meu método de leitura, que é ler um tiquinho de várias coisas ao mesmo tempo — não dá muito certo para games. Então recentemente mudei minha estratégia e para a do “jogador eventual obsessivo”. Jogo relativamente pouco ao longo da semana, mas quando pego um game fico exclusivamente nele até terminá-lo, acumulando várias horas de uma vez só. Geralmente minhas quatro a oito horas semanais com games se dão num único dia. Acho que preciso aumentar meu tempo regular de jogo, mas encontro dificuldade em organizar um dia-a-dia que permita isso. Tempo, tenho bastante; a questão é organizá-lo e aproveitá-lo de um modo eficiente. Estranhamente, a pauleira dos preparativos de casamento estão me ensinando isso. Então, provavelmente, depois de me casar em Setembro terei mais tempo para jogar videogames. E, com o fim da faculdade na então-namorada-logo-esposa, terei novamente uma parceira de jogo.
Meus projetos para o futuro incluem a aquisição de um Xbox360 (ou um Wii, se depender da namorada), mas é algo que terá que ser postergado para muito longe, porque este ano o dinheiro está indo todo para o casamento; ano que vem, irá todo para a casa própria e possivelmente para um iMac. Videogame para mim, depois do Dreamcast, talvez só a próxima geração, quando já houver Wiii, Playstation 4 e Xbox720. Por ora, quero ver se consigo desviar dinheiro dos livros de RPG para a compra de um joypad para PC com direcional analógico, para eu conseguir jogar Resident Evil 4 direito.


Este blog já se chamou O Blog do Bárbaro (quando ainda estava hospedado no UOL Blogs), foi Crônicas da Ciência brevemente (durante o período em que tentei — e falhei — dar um assunto-tema para este blog) e foi nos últimos tempos, acho que três anos já, Notícias da Terceira Terra.







