Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Minha história com videogames

Minha breve história com videogames começou no Odissey da Philips, bem criancinha ainda, e logo depois, no Atari. Mas tornei-me um gamer mesmo a partir do Master System, migrando naturalmente para o Mega Drive. Foi nesses consoles que eu “me fiz”, tendo acumulado dezenas e dezenas de cartuchos, todos organizadinhos e com um fluxo regular de horas de jogo, discussão e encontros com amigos para jogar; foi quando comecei a ler revistas e matérias de jornal sobre games, etc. Em 92 chegou em casa o primeiro computador, que vinha com games junto à placa de som Sound Blaster, mas aproveitei muito pouco de games de PC durante quase toda a década e noventa, porque meus pais acreditavam que jogos estragavam o computador. Só quando meu pai, que é infantil e previsível, comprou um PC só para si e deixou o outro para os filhos, que começamos a jogar games no PC para valer — estranhamente, era o PC dele que sempre vivia com problemas, enquanto que o PC lotado de games rodava macio...

De 1999 a 2006 eu praticamente não joguei game algum no PC, à exceção dos multiplayers em casa de amigos, quando acumulava muitas e muitas horas em Diablo, Warcraft e Starcraft. Em 2000 eu saí de casa para trabalhar full time e pude comprar meu primeiro console, um Playstation, de um amigo de Franca que cuidava absurdamente bem do bicho. Já fazia muitos anos que eu não jogava em consoles, e foi difícil me acostumar com joypads e games que não precisavam ser instalados. Estranhamente, quando finalmente morava por conta própria, com um videogame só meu, podendo então jogar o quanto eu quisesse, jogava pouco. Na primeira semana com o PSX, eu varei a madrugada jogando. Depois, passei a jogar tão eventualmente que às vezes iam-se dias sem que eu ligasse o console. Dei-me conta de que não sou um jogador inveterado. Eventualmente jogava mais, claro, em especial um game que queria acabar, mas era comum ficar dias sem jogar novamente, ou ligar o videogame apenas por algumas horas.

Em 2003 eu troquei o Playstation por um Dreamcast. Fui amamentado pela Sega durante a infância, nunca sequer tendo pegado num controle de SuperNES — ver, então, só uma vez. Acho que não seria capaz de reconhecer a Princesa Zelda e só conheci os irmãos Mario jogando Mario Kart no N64, na casa de amigos. Adquirir um Dreamcast era praticamente uma necessidade para mim. Já havia acumulado aproximadamente 100 discos de PSX (discos, não games, porque muitos dos games tinham quatro, cinco, seis discos) e troquei por um Dreamcast com dois controles e vinte jogos. Hoje, tenho quatro controles, quatro memory units, um mouse, perdi uma chance de comprar um volante para o console como nunca mais haverá nesta vida, já troquei a unidade de leitura duas vezes e tenho exatamente 172 games para o console (games, não discos, porque cerca de um décimo tem dois, três ou até quatro discos).

Quanto aos games de PC, fiquei um bom tempo longe deles, por restrições de maquinário. Quando tive um iMac (ai, que saudade...), de 2000 a 2003, era difícil conseguir games para o computador da Apple (basicamente, joguei Unreal, a série Myth, Age of Empires e Starcraft) e depois disso fiquei restrito a PCs defasados e sem placas de vídeo que prestassem. Foi apenas no começo de 2008 que consegui um PC realmente potente e uma placa de vídeo atual para jogar (o PC da namorada), e resolvi tirar o atraso daquela década praticamente inteira sem jogar nada mais potente que Counter Strike. Minha lista de games jogados no ano de 2008 é: Prince of Persia - The Sands of Time, Rainbow Six - Lockdown, Resident Evil 4, The Chronicles of Riddick - Escape from Butcher Bay, Star Wars - Dark Forces II - Jedi Knight, Star Wars - Jedi Knight II - Jedi Outcast, Star Wars - Jedi Knight - Jedi Academy, Splinter Cell, Taikodom, BloodRayne, Full Spectrum Warrior, F.E.A.R., F.E.A.R. - Extraction Point, Star Trek Away Team, Star Trek Voyager - Elite Force, Star Trek - Elite Force II, Star Trek DS9 - The Fallen, Star Trek TNG - Klingon Honor Guard, Far Cry, Re-Mission, Star Wars - Knights of the Old Republic, Colin McRae Rally 2005, Call of Cthulhu - Dark Corners of the Earth.

Alguns desses eu chupei como uma laranja, deixando só o bagaço. Rainbow Six, em especial, foi “zerado” de todos os modos e níveis de dificuldade possíveis. FarCry devo ter jogado umas onze vezes, e vi os dois finais diferentes de todos os games de Star Wars, à exceção de KotOR.

Só agora o PC e a placa 3D mostram sinais de senilidade: consegui jogar o demo de Necrovision em qualidade baixa em quase todas as configurações. Mas não tenho pressa, pois ainda há muitos jogos “velhos” para eu explorar, games que deixei de jogar saídos de 1999 a 2006.

Ultimamente meu Dreamcast tem acumulado poeira. Mas não é por causa do PC (o elenco de games é diferente demais para um fazer concorrência ao outro) e sim por causa de um dia-a-dia cada vez mais lotado. Notei que meu método de jogo — extraído do meu método de leitura, que é ler um tiquinho de várias coisas ao mesmo tempo — não dá muito certo para games. Então recentemente mudei minha estratégia e para a do “jogador eventual obsessivo”. Jogo relativamente pouco ao longo da semana, mas quando pego um game fico exclusivamente nele até terminá-lo, acumulando várias horas de uma vez só. Geralmente minhas quatro a oito horas semanais com games se dão num único dia. Acho que preciso aumentar meu tempo regular de jogo, mas encontro dificuldade em organizar um dia-a-dia que permita isso. Tempo, tenho bastante; a questão é organizá-lo e aproveitá-lo de um modo eficiente. Estranhamente, a pauleira dos preparativos de casamento estão me ensinando isso. Então, provavelmente, depois de me casar em Setembro terei mais tempo para jogar videogames. E, com o fim da faculdade na então-namorada-logo-esposa, terei novamente uma parceira de jogo.

Meus projetos para o futuro incluem a aquisição de um Xbox360 (ou um Wii, se depender da namorada), mas é algo que terá que ser postergado para muito longe, porque este ano o dinheiro está indo todo para o casamento; ano que vem, irá todo para a casa própria e possivelmente para um iMac. Videogame para mim, depois do Dreamcast, talvez só a próxima geração, quando já houver Wiii, Playstation 4 e Xbox720. Por ora, quero ver se consigo desviar dinheiro dos livros de RPG para a compra de um joypad para PC com direcional analógico, para eu conseguir jogar Resident Evil 4 direito.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O ano depois de amanhã

De Roland Emmerich, o diretor de “10.000 a.C.”, no fim dos temp... do ano estréia “O Dia Depois de Amanhã 2.0”, ou:

2012

Protagonizado por Digital Domain (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, “Transformers” e “O Dia Depois de Amanhã 1”), e participação coadjuvante menor de John Cusack, Woody Harrelson e Danny Glover.

Mais efeitos visuais! Mais desastres naturais! Cenas mais longas de destruição de monumentos! E VOLUME AINDA MAIS ALTO!

13 de Novembro de 2009, no seu Playst... cinemas!

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Mudança de nome

Banner do NotíciasEste blog já se chamou O Blog do Bárbaro (quando ainda estava hospedado no UOL Blogs), foi Crônicas da Ciência brevemente (durante o período em que tentei — e falhei — dar um assunto-tema para este blog) e foi nos últimos tempos, acho que três anos já, Notícias da Terceira Terra.

Do nome Notícias da Terceira Terra surgiu um podcast sobre RPG, chamado Vozes da Terceira Terra, cuja única relação com este blog vago é a minha pessoa — e a coincidência do nome, que nem fui eu que dei. Mas recentemente surgiu a possibilidade de ser criado um blog coletivo (ou seja, escrito por várias pessoas) exclusivamente sobre RPG. Ou melhor, sobre RPG e assuntos relacionados, que vão de contos de FC a videogames, de literatura de fantasia a cardgames.

Sempre me incomodou um pouco postar textos sobre RPG aqui. A grande maioria das (poucas) pessoas que frequentam meu blog (ah, que saudade do trema...) não jogam RPG e não se interessam sobre o assunto. Eu acabava postando aqui por falta de outro lugar para fazê-lo. Mas com um megablog a caminho, seja ele Notícias da Terceira Terra ou não, pretendo retirar todo o conteúdo de RPG daqui e deixá-lo o que sempre foi, um blog pessoal sobre nada, exceto sobre o que eu desejo escrever em dada semana.

Que eu acho, é para isso que meus amigos e conhecidos acessam um blog cujo endereço é meu nome.

Bem-vindo ao Diário do Dior, que de diário não tem nada.
Monica Bellucci faz propagandas para mim

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

A saga de um desmemoriado

Este texto era para ser um comentário à postagem “Lembra?” do blog Crônicas e Cômicas. Mas acabou ficando grandinho e achei melhor publicá-lo como uma postagem mais pessoal que as outras aqui em meu próprio blog (em alguns dias haverá outra assim).

Por anos eu fui atormentado com o estigma de ter uma memória ruim, memória fraca, memória de peixinho dourado. Ginseng e Ginkgo Biloba algum fazia diferença, e aqueles exercícios para a memória, gratuitos ou pagos, mostraram-se todos uma grande piada.

Até que, bem recentemente, coisa de dias atrás, comecei a me dar conta de que o buraco era mais embaixo.

Veja, já terminei a faculdade há anos e anos (apesar de só ter entregado a monografia ano passado) mas me lembro de nomes de autores, de trechos de livros e às vezes de aulas completas que vi. Lembro-me de textos que escrevi, de livros que não consegui achar na biblioteca e lembro do que comi da única vez em que fui ao refeitório da Unesp (arroz sem alho, feijão sem louro, purê de batata sem alecrim e bife de coxão duro sem molho inglês). Sempre fui muito bom com nomes de atores, diretores e roteiristas de cinema, e títulos de filmes, e consigo citar passagens inteiras de Jornada nas Estrelas de memória, e ainda dizer o nome do episódio onde foi pronunciada. Consigo “encontrar” um ator debaixo de várias maquiagens — é comum em Jornada que um ator apareça novamente, como outro personagem, várias e várias vezes —, reconheço-o tanto pelas feições como pela voz, principalmente a voz. Lembro-me bem de nomes de perfumes, em especial da situação exata de quando os senti pela primeira vez. É comum eu me lembrar detalhadamente onde estão os utensílios de cozinha se fui eu quem arrumei o armário...

... Mas até agora ignorava toda essa informação por causa dos elementos do dia-a-dia que irritam as pessoas (ou que elas reparam melhor): esqueço onde estão as chaves do carro logo depois de colocá-las na bolsa, esqueço o telefone celular em todo lugar, esqueço compromissos o tempo todo, já no portão para a rua volto em casa para pegar algo que esqueci, pego outra coisa, volto ao portão e me dou conta de que não voltei para pegar o que tinha me feito voltar em primeiro lugar. Esqueço até do que eu estava falando cinco minutos antes, se entro em outro assunto. Uma vez procurei por vários minutos um boné que estava na minha cabeça. Faço um pedido num restaurante e esqueço o que foi — pode me perguntar, metade das vezes eu não lembro do que pedi.

Mas nunca me esqueço da cerveja que pedi ao garçon.

Eureka.

Cheguei à conclusão que não tenho memória de peixinho dourado. Minha memória, na verdade, é tão boa quanto a de qualquer outro cidadaõ (meus irmãos, ao contrário, têm memória de elefante), mas sou uma mente profundamente desatenta. Faço tudo pensando constantemente em outra coisa, com a atenção voltada a outro lugar, outro tempo, ou outro assunto, e aí nunca chego a registrar na memória aquilo que supostamente me esqueci. Minha mente nunca pára, estou sempre formulando textos, conversas, sínteses, confrontando argumentos velhos; relembrando uma passagem memorável (o uso desta palavra aqui é proposital) de um gibi; me lembrando do último filme que vi ou o que vou fazer no shopping quando for comprar um livro; comparando preços das pimentas que vi no mercado; se vale a pena comprar ou chapéu ou trocar as marchas da bicicleta; na última gravação do podcast, me perguntando onde deixei meu caderno de notas para o jogo de RPG do sábado; como seria um filme dos Thundercats; etc.

Em resumo, passo pelo dia e pelas coisas pensando em outra coisa na maior parte do tempo. Sou desatento. Quando me concentro em algo (o que não é fácil) lembro-me daquilo muito bem.

Finalmente me livrei desse estigma de desmemoriado. Troquei-o pelo da desatenção. E a melhor parte disso, é que desatenção é um mal comum entre os gênios, hehehe...


Ilustração desta postagem: Jay Leek & Karin Higgins

Sábado, 30 de Maio de 2009

Podcast II: Música

Não me pretendo ser um especialista ou portador de grandes conselhos sobre como fazer um podcast. Sou apenas um cara que brinca de ser podcaster duas vezes por semana e que se considera no middle rim da galáxia de podcasts que há por aí (nem na periferia ou no inner rim, e muito menos entre os core worlds*). Meu primeiro texto sobre podcast pretendia dar umas dicas para amigos que me perguntavam sobre como fazer um podcast; ao invés de escrever para cada um, produzi um texto para o caso de ser útil a mais alguém.

Este aqui foi pensado do mesmo jeito. Ao observar algumas dificuldades que amigos e colegas podcasters recém-chegados estão tendo com trilha sonora e música, resolvi-me por escrever um texto com minhas idéias, sobre o que eu acho sobre o assunto. Para conselhos de verdade, ouça aos GenCon Seminars (mais focado em podcasts de RPG, mas ainda assim muito úteis). Para dicas diametralmente opostas do que escrevo aqui, ouça ao Metacast.

A trilha de fundo

Minha opinião sobre música ao fundo da conversa do podcast resume-se a uma única palavra: «não». Não coloque música de fundo no seu podcast. Eu não coloco, e acho que atrapalha, que desvia a atenção de seu ouvinte da conversa.

Minha experiência pessoal com trilha de fundo em podcasts é de simplesmente me pegar prestando atenção às músicas, especialmente se elas são boas ou agitadas, e não ouvindo ao que está sendo dito. Mas eu sei que a tentação é grande. Quem não gostaria de ter trilha sonora no dia-a-dia? Quem não aprecia boa música? Bem, é esse o problema. Já reparou que nos filmes, quando num diálogo ou numa cena em que algo importante está sendo dito, quase não há trilha sonora? Toda vez que o diretor está mostrando para você uma conversa importante para a trama, a música está ausente. E por quê? Porque música é muito bom nas cenas de ação ou de romance, mas na hora de chamar a atenção do espectador para uma fala, ela atrapalha.

Esta é minha opinião. Agora vamos flexibilizá-la, porque eu sei que você vai morrer de vontade de enfiar quantas músicas legais conseguir em cada episódio de seu podcast. Além disso, você pode estar se perguntando “quem esse babaca pensa que é, quando os maiores podcasts do Brasil, com o Nerdcast e o NowLoading usam trilhas exaustivamente ao fundo de seus episódios?”. Pois é, até um de meus podcasts favoritos, o Order 66 também usa trilhas sonoras de fundo (literalmente: eles fecharam um acordo para poder tocar as trilhas de Star Wars no programa). Em primeiro lugar, discordo do uso de trilhas sonoras no Nerdcast e no NowLoading. É isso aí, eu discordo. Este é o problema de viver numa democracia, eu tenho direito de discordar, mesmo de gente que tem mil vezes mais ouvintes que eu.

Trilhas sonoras de fundo me distraem. E, se me distraem, devem distrair muita gente por aí também. Mas há duas situações de exceção: 1. Se o programa é de entretenimento e humor, daqueles você pode ouvir trabalhando, fazendo faxina ou mesmo resumindo um livro. Como esse tipo de programa não requer muita atenção para começo de conversa, não há problema. 2. Se a trilha sonora naturalmente não chamar atenção, se só estiver lá para preencher os momentos de silêncio, ela não irá distrair o ouvinte. Ou seja, se for uma música pouco conhecida, uma batida contínua e, preferencialmente, não muito agitada, a trilha fará exatamente o que você quer, que é preencher o fundo do episódio.

Mas ninguém faz isso. Podcasters adoram colocar faixas de rock pesado, ou clássicos do pop como trilha sonora. E o que acontece é que eu, por exemplo, sem querer começo a prestar atenção à faixa musical e só depois de dez minutos me dou conta de que não ouvi nada do que foi dito no podcast. Portanto, se você não pode evitar, coloque trilhas inócuas ou desconhecidas, e de preferência bem, bem baixinho (algo como 20 ou 24 decibéis mais baixo que as vozes). Mas tente evitar, especialmente se você está fazendo um podcast sobre um assunto que as pessoas deveriam estar prestando atenção e absorvendo o que você e seus convidados dizem, não a música.

Mas eu continuo recomendado nenhuma trilha de fundo de qualquer modo.

Abertura e encerramento

Uma coisa muito importante que os podcasts em começo de carreira (nossa, até parece que estou por aí há anos) não resistem é variar as músicas de abertura. E é uma coisa dificílima de resistir, porque há tantas musicas boas que poderiam abrir um podcast! Eu até hoje tenho essa vontade, e foi por isso que comecei um segundo podcast com música dividindo os blocos, para ter a desculpa ideal para colocar quatro faixas completamente diferentes a cada semana, toda semana.

O lance da faixa de abertura, tanto a música quanto a vinhetinha e o jeito como você e os outros apresentadores abrem cada episódio, é que ela cria um caminho neural em seus ouvintes. Literalmente, os neurônio no cérebro do ouvinte estabelecem um caminho sináptico que, quando estimulado, ou seja, quando a pessoa começa a ouvir aquela vinheta conhecida de abertura, ela entra imediatamente no mindset de ouvir seu programa. Chega mesmo a ativar o centro de recompensa do cérebro, aquela senação gostosa que foi por anos formando o caminho neural, por exemplo, da abertura da Tela Quente, quando não havia TV a Cabo no Brasil. Ou então o caminho neural que a música do Corujão ativava no cérebro, que me passava de imediato a idéia de que estava ficando tarde demais e que eu teria problemas se meus pais me pegassem acordado, quando garoto.

Esse tipo de sensação está presente num podcast, e por isso a faixa de abertura é tão importante. E por isso é complicado mudá-la, porque você obrigará o cérebro de seu ouvinte a reaprender o caminho neural que lhe diz “hora de relaxar e rir muito, está começando o Podge Cast”.

Da mesma maneira, a faixa de encerramento diz ao ouvinte, num nível consciente e também inconsciente, que o programa acabou e está na hora de voltar ao estado mental de antes do programa.

Fontes de música

O Brasil não é um país sério, então por aqui ninguém está se lixando para direitos autorais. Mas isso é feio e triste. Como podemos reclamar de políticos ladrões se nós mesmos somos um bando de malandros, podres e descarados?

Além disso, existem tantos artistas por aí que divulgam gratuitamente suas músicas, com o exclusivo propósito de serem usados em podcast, que eu acho que simplesmente não compensa usar música com copyright em seu podcast. Por favor, vamos tentar construir um país sério a partir de algum lugar. Se você não conhece meu podcast Estilingue, este é um programa baseado totalmente em faixas musicais liberadas para uso em podcast, retiradas do Podsafe Music Network, um lugar entupido com milhares de músicas muito boas, muito bem feitas, de todos os estilos existentes — e alguns não existentes, como “glam punk”, “screamo” e “nerdcore”. E tudo o que eles pedem em troca é que você cite em suas shownotes ou em sua gravação que usa as músicas deles, e que música/banda usou. Só isso, nada mais.

Além do Podsafe Music Network, há outras ótimas fontes de música, inclusive faixas feitas para serem aberturas ou encerramento de podcasts, como Podcast Themes, Podsafe Audio e Podcast.com. Eu não recomendo o Garage Band, porque a maioria das músicas de lá, apesar de ótimas, requer pagamento e não estão necessariamente disponíveis para uso em podcasts. Mas com as outras quatro fontes acima, eu tenho certeza que depois de vinte minutos de procura você terá tantas faixas perfeitas para serem o tema de seu podcast que vai levá-lo à loucura tentando escolher uma só.

(Uma solução parcial para isso é usar uma faixa para abertura, outra para interlúdio e uma terceira para encerramento; e às vezes você consegue encaixar um tema diferente para episódios especiais, hehe.)

Bem, esse foi meu bramido contra-corrente sobre o assunto. Ao fim e ao cabo, não posso lhe dizer o que fazer com seu show. Mas, se estava à procura de conselhos sobre a questão das músicas em podcasts, espero tê-las solucionado. Se não, deixe um comentário por aqui ou escreva para mim, neste endereço.


*Muita referência a Star Wars hoje.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Viciado em RPG

São nove e meia da noite, numa segunda-feira. Eu estou tomando água tônica com limão e lendo O Aleph, obra de fantasia do argentino Jorge Luis Borges (versão da Ed. Globo, 1998, tradução de Flávio José Cardozo), e não consigo tirar da cabeça que os primeiros capítulos poderiam dar uma ótima aventura de Dungeons & Dragons!

Maldito viciado!

Não consigo evitar. O narrador e protagonista da primeira história conta (com muitos floreios de redação) como ele, então um tribuno romano à época de Diocleciano, partiu, supostamente no norte da África, a encontrar a Cidade dos Imortais, com um pequeno regimento, depois de saber dela através de um oriental moribundo que chegou a seu acampamento à noite, à cidade de Tebas. Ele enfrentou o deserto escaldante, redemoinhos de areia, poços envenenados, feitiços de enlouquecimento, maldições lunares, motim, encontrou plantas que anulavam venenos, ruínas desertas e até trogloditas.

Essa primeira narrativa ocupa um oitavo, talvez, do livro (“O Imortal”), e não pude evitar mas pensar em como ela deveria ser adaptada para uma campanha de D&D. Obviamente os protagonistas seriam vários, não um só, e suas diferentes habilidades poderiam fazê-los entrar no grupo de diferentes maneiras e por diferentes motivos; talvez o rogue do grupo entre porque tentará roubar dos soldados da expedição e será poupado pelo líder (o warlord ou paladino ou fighter) porque suas habilidades poderão ser úteis na jornada (algo propiciamente sugerido pelo conselheiro do warlord/paladino/fighter, talvez esse também outro personagem-jogador). E por aí eu iria, mudando o local da aventura para talvez a Savage Coast de Red Steel, ou o Planalto de Tyr, de Darksun.

O desafio contra a tempestade de areia pode ser contra elementais; a montanha com planas anti-veneno pode ser a morada de um grupo de hags, o enlouquecimento dos que dormiram com a cara para a lua pode virar o ataque de fantasmas ou de um aboleth, e a fuga doentia pelo labirinto da Cidade dos Imortais pode dar um belo skill challenge, intercalado pelo ataque de ankhegs (que sairão no Monster Manual 2).

Claro, tudo isso precisa ser bem pensado, até porque citei monstros de níveis de desafio bastante díspares, como os obrigatórios trogloditas (nível 6), o elemental de redemoinho (earthwind ravager, nível 23) e o aboleth (nível 17). Portanto, provavelmente seria uma aventura para o final dos níveis Paragon, terminando no começo dos níveis épicos. Mas quero pensar nela com bastante calma, porque estou tentado a fazê-la uma aventura inicial, nos primeiros estágios do Heroic Tier, uma vez que estou para começar uma nova campanha nas noites de segunda-feira. Logo, os monstros que primeiro me surgiram na cabeça não seriam possíveis.

Tudo a seu tempo. Ainda tenho outros quinzte textos (poderia os chamar de contos?) para ler, e tenho que fazê-lo sem pensar em RPG — isso certamente estragaria a experiência de meu primeiro Luis Borges.

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Filme do Deadpool

Para quem compartilhou do anti-clímax de milhares de fãs de quadrinhos no filme “X-Men - Origens: Wolverine” da não-participação do Deadpool, parem de chorar, suas bichonas! A Marvel deu sinal verde para a produção do filme do mercenário mais tagarela dos gibis.

Para quem não sabe, Deadpool é um bocó mercenário com super-poderes: além de ser muito ágil e ter um fator de cura mais poderoso que o da carreira de John Travolta, é talvez o único personagem da Marvel que sabe que está numa história em quadrinhos — o que leva a seu comportamento totalmente irresponsável e aleatório.

Wade Wilson (o Deadpool) teve uma brilhante encarnação com Ryan Reynolds, mas seu tempo de tela, assim como de todos os outros super-heróis e super-vilões do filme do Wolverine, foi um mero cameo para os espectadores, menos breves talvez apenas que os do Stan Lee. E parece que muita gente ficou com gosto de quero mais ao sair do cinema, em especial pelo não-Deadpool ao fim do filme (de minha parte, acho que foi um tremendo vilão final com uma pusta luta, mas poderiam ter chamado de outro nome, não Deadpool).

Pois então a Marvel pretende pacificar a horda de cinéfilos e quadrinéfilos irados que se dirigia à sede da empresa em Nova Iorque, portando ancinhos, foices e tochas, com a notíca de hoje em seu website. No texto, a Marvel aproveita para confirmar os rumores de que houve, sim, rolos de filmes com duas cenas pós-crédito enviadas para diferentes cinemas. Eu vi a do bar no Japão, como falei aqui)., e a outra parece ser sobre o Deadpool.

Por ora a Marvel só assinalou o produtor (ou melhor: produtora, Lauren Shuler Donner, que também produziu todos os outros três filmes dos X-Men, o filme do Wolverine e está na produção do vindouro filme do Magneto) e nem tocou em nome de estúdio (ou seja, se será um filme 100% Marvel ou se será da Fox). Na notícia, a Marvel também não deixou explícito se Ryan Reynolds re-encenaria o super-mercenário bocudo — mas, doido por gibis como o ator é, não é difícil imaginar o que irá acontecer.